Boletim


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Boletim | Julho/2017

Entrevista

com Candice Steffen Holderbaum e Luciana Tisser

1 - A SBNp agradece as autoras pela entrevista sobre o Instituto de Neuropsicologia do Rio Grande do Sul (INRS) para o boletim da SBNp. Recentemente, vocês criaram o INRS. Gostaríamos de saber como surgiu esta iniciativa e quais os principais objetivos desta Instituição?

     Olá, primeiramente gostaríamos de dizer que é um prazer poder falar um pouco sobre o INRS e sobre Neuropsicologia para o Boletim da SBNp. O INRS vai fazer um ano agora em abril de 2017, então realmente é um projeto bastante recente para nós. Ele surgiu em uma conversa nossa (das sócias fundadoras Candice e Luciana) sobre a necessidade de um local de referência em Neuropsicologia no estado do Rio Grande do Sul. Nós duas somos doutoras (a Candice em Psicologia e a Luciana em Ciências da Saúde - Neurociências), com muitos anos de experiência em pesquisa e docência, mas também com uma característica diferencial de termos somado a isso uma ampla experiência clínica em Neuropsicologia. Assim criamos o INRS com o objetivo de ser um local de referência no atendimento em Neuropsicologia (da criança ao idoso) e um local de ensino de qualidade em Neuropsicologia e áreas afins. Nossa ideia surgiu principalmente por identificarmos algumas carências das pessoas que se especializam em Neuropsicologia e necessitam de supervisão após, principalmente pela ausência de vivências práticas. 

2. O INRS têm se dedicado ao ensino e à formação em Neuropsicologia no Brasil, oferecendo cursos de curta duração e especialização em Neuropsicologia. Qual o público-alvo e a proposta dos cursos que vocês oferecem? 

     Com exceção de cursos específicos sobre testes psicológicos, grande parte de nossos cursos e a especializações são de caráter multiprofissional. Nós entendemos que a Neuropsicologia é uma área de conhecimento aberta a várias profissões que se propõem a estudar a associação entre o funcionamento cognitivo e o funcionamento cerebral. Neste sentido, obviamente temos o cuidado para nos módulos de testes específicos não inserir alunos de outras áreas de formação, cumprindo os preceitos éticos da legislação de testes psicológicos validados pelo CFP. Trazemos, como principal diferencial dos nossos cursos, aulas dadas por profissionais com amplo conhecimento teórico e clínico em Neuropsicologia, a fim de fornecer aos nossos alunos as informações necessárias para colocar em prática o conteúdo aprendido em aula. A ideia principal de nossos cursos, tantos os de especialização como os de extensão é proporcionar aulas práticas com metodologias ativas de aprendizagem para subsidiar além da teoria, a vivência prática.

3. Como vocês percebem o impacto da existência de um Instituto especializado na área de Neuropsicologia na qualidade da formação dos profissionais que atuam no estado?

     Acreditamos que poderemos contribuir para uma formação mais consistente e com isto fortalecer a área da Neuropsicologia do RS, não só com ensino, mas também com extensão e pesquisa. Também oferecemos estágio curricular obrigatório para os cursos de Psicologia e com isto temos a possibilidade de realizar avaliações sem custo para entidades carentes. 

4. No INRS, quais são as maiores dificuldades que os alunos enfrentam na formação em Neuropsicologia no Brasil? 

     A principal queixa que ouvimos dos alunos é de aulas com conteúdos teóricos muito dissociados da prática de trabalho. Os alunos acabam saindo sem vivências práticas e não sabendo como aplicar as teorias aprendidas. Verificamos que isto é algo que “habilita” o sujeito a trabalhar com Neuropsicologia, mas por outro lado não existe consistência nos trabalhos desenvolvidos, o que acaba por desconstruir a importância e a seriedade de um processo de avaliação e reabilitação neuropsicológica. Isto não só causa uma impressão inadequada por quem contrata estes serviços, mas também para quem encaminha pacientes para uma avaliação esperando uma resposta consistente da mesma. Já ouvimos, por exemplo, inúmeras vezes as pessoas falarem que encaminharam os pacientes para avaliação e que a avaliação não respondeu motivo do encaminhamento. Para estes profissionais mal preparados, o resultado da avaliação neuropsicológica é sinônimo do resultado do(s) teste(s) aplicado(s). Insistimos em mostrar aos nossos alunos como atingir o real resultado da avaliação através do raciocínio neuropsicológico, este que deve integrar o resultado dos testes empregados, junto com as tarefas e com as observações clínicas, informações médicas e histórico de vida.

5. Como vocês percebem o mercado de trabalho atual para atuação do Neuropsicólogo no Brasil? 

     O mercado de trabalho em Neuropsicologia ainda não cresceu tudo que acreditamos que deve crescer. Acreditamos que quanto mais pessoas trabalharem na área mais pesquisa e desenvolvimento estaremos promovendo. Não podemos esquecer que temos um limitador importante no Brasil que se retrata dos pouquíssimos testes neuropsicológicos validados. Isto prejudica e muito a área. A área de reabilitação pode e deve crescer muito mais. Por outro lado percebemos que nos últimos 10 anos a área se desenvolveu bastante. Achamos também que isto futuramente pode ocasionar sub especializações dentro da área da Neuropsicologia, pois existem inúmeros espaços a serem ocupados. Na própria área da Neurologia, que podemos pegar de base, existem profissionais que trabalham com vascular, demências, cirurgia e outros. Além disso, existem as sub divisões de faixa etária da população a ser avaliada e reabilitada (crianças, adultos e idosos)



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